quinta-feira, 1 de maio de 2014

O PAPEL DO TUTOR NO CONTEXTO DA EaD


Maria Esperança de Paula
Túlio Mafra Sanches


Estamos em um contexto em que os atuais recursos tecnológicos de informação e comunicação, quando utilizados na modalidade EaD, devem estar associados a uma concepção pedagógica que compreenda o aprendizado como um processo individual que, no entanto, é e pode ser influenciado e estimulado através da interação interpessoal entre todos os atores envolvidos.

Sob essa ótica, baseados em Ambientes Virtuais de Aprendizagem, os processos de ensino e aprendizagem podem ainda ser flexíveis para permitir mudanças e trocas de papéis em diferentes momentos, gerando um ambiente de aprendizagem colaborativa, potencialmente muito mais eficiente para todos e para cada um de seus participantes.

Na modalidade EaD esse modelo de construção coletiva, ou de comunidade de aprendizagem, colocará o tutor diante de uma experiência fundamentada na interação, notadamente virtual, que requer uma perspectiva de atuação específica, onde seu papel é de grande importância para o bom andamento dos processos de aprendizagem.

Projetos educacionais fundamentados nessa intenção interacionista e colaborativa em rede devem ser planejados, desde suas etapas iniciais, de forma a permitir sinergia e verdadeira interatividade entre a tecnologia empregada, o conteúdo desenvolvido, os alunos, tutores e professores.

Para garantir essa interatividade e o sucesso no desenvolvimento de cursos na EaD, o tutor é peça chave, e deve estar preparado para desempenhar diferentes funções que irão requerer habilidades específicas, tais como: Animador (capacidade de mobilizar os alunos para as atividades e estimular a interação); Facilitador (dá apoio e facilita através de ferramentas colaborativas, trazendo temas para reflexão, mediando as discussões e estimulando o pensamento crítico e a pesquisa em outras fontes); Estrategista (trabalha dentro de um planejamento, mas com flexibilidade, já que em contextos dinâmicos podem ser necessárias modificações e intervenções oportunas); Arquiteto Cognitivo (planeja e implanta estratégias e mapas conceituais de navegação que permitam ao aluno desenvolver seus próprios caminhos de construção de conhecimento em rede, assumindo uma postura consciente e crítica diante da tecnologia e conteúdos).

A Professora Lina Morgado (2001) descreve aquelas que seriam as 04 funções mais importantes do tutor em cursos a distância. Descrevendo cada uma dessas funções fica ainda mais clara a importância desse profissional nesse contexto:

1) Função Pedagógica – ações que dão suporte ao processo de aprendizagem, quais sejam:
·         Facilitar – o encontro do estudante com o objeto de estudo;
·         Intervir – garantindo a participação de todos;
·         Mediar – fóruns e chats, participando e cuidando do andamento;
·         Estimular – a interação, perguntas e comentários que estimulam o pensamento crítico;
·         Auxiliar – a busca de outras informações e reflexões além do material trabalhado.

2) Função Social – ações que criam um ambiente acolhedor, estimulante e favorável ao aprendizado, para que os alunos se sintam motivados, apoiados, acompanhados, confortáveis e confiantes para manifestar dúvidas e outras participações;
3) Função Gerencial – ações que estabeleçam vínculos entre alunos e instituição, que informem diretrizes, organizem as atividades, cronograma e calendário, negociem regras e avaliem os resultados;

4) Função Técnica – ações que façam os alunos se sentirem confortáveis e a vontade em relação ao uso dos recursos tecnológicos utilizados e do próprio ambiente virtual de aprendizagem;

Em ambientes virtuais de aprendizagem o professor, quando também atua como tutor (professor/tutor), não pode se posicionar como um mero transmissor de conhecimento, até porque muitas vezes as interações nesses ambientes podem ser assíncronas, o que torna esse tipo de abordagem enfadonho e desinteressante.

As relações entre os atores exigem maior reciprocidade e o professor/tutor deve estar preparado para trocar experiências e estimular a troca entre os alunos, ao mesmo tempo em que auxilia o grupo de alunos a construir o próprio conhecimento, pensando de forma crítica.

O Professor Marco Silva, com seu conceito de sala de aula interativa, defende  que o tutor deve propor o conhecimento, não simplesmente transmiti-lo, nem mesmo oferece-lo a distância para uma recepção passiva. Ele deve propor a aprendizagem aos alunos a partir de espaços abertos a discussão e criação/co-criação individual e em grupo, formulando problemas, provocando situações, mobilizando a criatividade individual e coletiva, sugerindo percursos.

A partir dessas ideias e conceitos fica clara a importância da atuação qualificada do tutor no contexto da EaD, principalmente quando vista por essa ótica mais aberta e interativa que exigirá competências e habilidades que favoreçam esse processo de aprendizagem, fundamentalmente diferente da maior parte dos conhecidos processos de aprendizagem presenciais, majoritariamente fundamentados em uma comunicação unidirecional.


Referências:

SILVA, Marco, Sala de aula Interativa: A educação presencial e a distância em sintonia com a era digital e com a cidadania. Disponível em:
< http://www.saladeaulainterativa.pro.br/textos.htm>, texto 8. Acesso em 12 set. 2013
MORGADO, Lina. O papel do professor em contextos de ensino on-line: problemas e virtualidades. In: Discursos. Série, 3. Universidade Aberta, 2001. p. 125-138. Disponível em: <http://www.univ-ab.pt/~lmorgado/Documentos/tutoria.pdf>. Acesso em:12 set. 2013.


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