Maria Esperança de Paula
Túlio Mafra Sanches
Estamos em
um contexto em que os atuais recursos tecnológicos de informação e comunicação,
quando utilizados na modalidade EaD, devem estar associados a uma concepção
pedagógica que compreenda o aprendizado como um processo individual que, no
entanto, é e pode ser influenciado e estimulado através da interação
interpessoal entre todos os atores envolvidos.
Sob essa
ótica, baseados em Ambientes Virtuais de Aprendizagem, os processos de ensino e
aprendizagem podem ainda ser flexíveis para permitir mudanças e trocas de
papéis em diferentes momentos, gerando um ambiente de aprendizagem
colaborativa, potencialmente muito mais eficiente para todos e para cada um de
seus participantes.
Na modalidade
EaD esse modelo de construção coletiva, ou de comunidade de aprendizagem, colocará
o tutor diante de uma experiência fundamentada na interação, notadamente
virtual, que requer uma perspectiva de atuação específica, onde seu papel é de
grande importância para o bom andamento dos processos de aprendizagem.
Projetos
educacionais fundamentados nessa intenção interacionista e colaborativa em rede
devem ser planejados, desde suas etapas iniciais, de forma a permitir sinergia
e verdadeira interatividade entre a tecnologia empregada, o conteúdo desenvolvido,
os alunos, tutores e professores.
Para
garantir essa interatividade e o sucesso no desenvolvimento de cursos na EaD, o
tutor é peça chave, e deve estar preparado para desempenhar diferentes funções
que irão requerer habilidades específicas, tais como: Animador (capacidade
de mobilizar os alunos para as atividades e estimular a interação); Facilitador
(dá apoio e facilita através de ferramentas colaborativas, trazendo temas
para reflexão, mediando as discussões e estimulando o pensamento crítico e a
pesquisa em outras fontes); Estrategista (trabalha dentro de um
planejamento, mas com flexibilidade, já que em contextos dinâmicos podem ser
necessárias modificações e intervenções oportunas); Arquiteto Cognitivo (planeja
e implanta estratégias e mapas conceituais de navegação que permitam ao aluno
desenvolver seus próprios caminhos de construção de conhecimento em rede,
assumindo uma postura consciente e crítica diante da tecnologia e conteúdos).
A
Professora Lina Morgado (2001) descreve aquelas que seriam as 04 funções mais
importantes do tutor em cursos a distância. Descrevendo cada uma dessas funções
fica ainda mais clara a importância desse profissional nesse contexto:
1)
Função Pedagógica – ações que dão suporte ao processo de aprendizagem, quais
sejam:
·
Facilitar – o encontro do estudante com o objeto de
estudo;
·
Intervir – garantindo a participação de todos;
·
Mediar – fóruns e chats, participando e cuidando do
andamento;
·
Estimular – a interação, perguntas e comentários que
estimulam o pensamento crítico;
·
Auxiliar – a busca de outras informações e reflexões
além do material trabalhado.
2)
Função Social – ações que criam um ambiente acolhedor, estimulante e favorável
ao aprendizado, para que os alunos se sintam motivados, apoiados, acompanhados,
confortáveis e confiantes para manifestar dúvidas e outras participações;
3)
Função Gerencial – ações que estabeleçam vínculos entre alunos e instituição,
que informem diretrizes, organizem as atividades, cronograma e calendário,
negociem regras e avaliem os resultados;
4) Função
Técnica – ações que façam os alunos se sentirem confortáveis e a vontade em
relação ao uso dos recursos tecnológicos utilizados e do próprio ambiente
virtual de aprendizagem;
Em
ambientes virtuais de aprendizagem o professor, quando também atua como tutor
(professor/tutor), não pode se posicionar como um mero transmissor de
conhecimento, até porque muitas vezes as interações nesses ambientes podem ser
assíncronas, o que torna esse tipo de abordagem enfadonho e desinteressante.
As relações
entre os atores exigem maior reciprocidade e o professor/tutor deve estar
preparado para trocar experiências e estimular a troca entre os alunos, ao
mesmo tempo em que auxilia o grupo de alunos a construir o próprio conhecimento,
pensando de forma crítica.
O Professor
Marco Silva, com seu conceito de sala de aula interativa, defende que o tutor deve propor o conhecimento, não
simplesmente transmiti-lo, nem mesmo oferece-lo a distância para uma recepção
passiva. Ele deve propor a aprendizagem aos alunos a partir de espaços abertos
a discussão e criação/co-criação individual e em grupo, formulando problemas,
provocando situações, mobilizando a criatividade individual e coletiva,
sugerindo percursos.
A partir dessas
ideias e conceitos fica clara a importância da atuação qualificada do tutor no
contexto da EaD, principalmente quando vista por essa ótica mais aberta e interativa
que exigirá competências e habilidades que favoreçam esse processo de
aprendizagem, fundamentalmente diferente da maior parte dos conhecidos
processos de aprendizagem presenciais, majoritariamente fundamentados em uma
comunicação unidirecional.
Referências:
SILVA,
Marco, Sala de aula Interativa: A educação presencial e a distância em sintonia
com a era digital e com a cidadania. Disponível em:
<
http://www.saladeaulainterativa.pro.br/textos.htm>, texto 8. Acesso em 12
set. 2013
MORGADO,
Lina. O papel do professor em contextos de ensino on-line: problemas e
virtualidades. In: Discursos. Série, 3. Universidade Aberta, 2001. p.
125-138. Disponível em:
<http://www.univ-ab.pt/~lmorgado/Documentos/tutoria.pdf>. Acesso em:12
set. 2013.
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